segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As chamas que antes ardiam de prazer
Agora consomem o que resta de mim
Entrego-me tardiamente
Ao destino irrevogavel
Que cumpre a leitura das cartas sombrias

Meus pensamentos me levam à Oxum
em sua lagoa de lagrimas e desespero
Me perco na inconstancia dos sentimentos
Em palavras injustas e apegos

Inerte solto-me nas aguas frias
Nas maos da mae que colhe lirios no rio
O afago de suas maos macias
Me reconstroe e preenche o vazio

Fricciono a pele
Na tentativa de retirar teu cheiro
Demarco um novo roteiro
E de meu cerne invoco a força
que me lança de volta aos meus braços acolhedores

Volto a mim
Mato as saudades
E me encho de amores

domingo, 20 de fevereiro de 2011

As ondas sonoras de meus gritos
Ecoam nos pilares ruidos
do castelo construido
sobre a carne pulsante de meu peito

No salao principal
As pinturas na parede revelam
a alegria de outrora
Coberta por teias e poeira

O espelho quebrado
Revela um ser enfraquecido
Sugado por maos amadoras e grosseiras

Maos que revelam o desejo calado
O corpo suado, a vontade incontida.

Finalmente... satisfe-se!

O oasis alcançado no deserto
o gole d'agua degustado
e, num susto de tempo,
o cenario corroido.

A incessante procura de um corpo novo
Ilude e detroe o sentimento mais puro
Como uma flor que brotou na suavidade da manha
Agora murcha e incinerada no sol do meio dia.