sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vento nordeste

O vento quente do nordeste levou meu repertório
Voou feito pássaro centenas de metros
sobre a fina camada de areia
que corre na beira da praia.

O vento quente do nordeste levou minhas roupas
Meu chapéu e minhas palavras-chave.
E com ele vieram músicas, risadas,
o mar e o amar.

O vento quente da sua boca,
feito vento quente do nordeste, chegou sutil, macio
e com suas rajadas intensas percorre meu corpo azeitado sob o sol.
Bagunça e entrelaça nossos cabelos,
penetra meus poros.

Vento belo e inspirador
Com feições do sul e sabor do nordeste.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Estrelas renascentes

As luzes do céu noturno
Habitantes do vácuo, escuro
Se, por si só, não brilhassem,
Não questionassem, 
Não acordassem sua própria felicidade sem causa
A depender de uma explosão solar
Que lhe traria além da luz, seu calor,
Presença e um tanto de amor
Murchariam no triste frio do vazio
Nasceriam e morreriam desapercebidas
Ofuscadas por um sol que brilha pra si
Sem que seu poder de nortear viajantes e 
Sua beleza inspiradora fossem desvendados

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

No meu quarto tem as brincadeiras de infância
Os desejos vulcânicos
E horizontes da velhice.
Traduzidos em símbolos e olhares.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ora iê iê!

A semente que dança na cabaça
Estremece meu corpo sob a saia branca
Meu peito vibra com a incessante batida do couro em ritmo de afoxé.
Ora iê iê minha mãe
Desce pro terreiro
Lágrimas e pés descalços,  te recebem
Mãos abertas te saúdam.
Axé da bela mulher forte
Que amansa fera todo dia
Esconde a mais intensa mironga
De baixo de todos os panos.
E se espalha quando gira
As contas sobre o rosto
Mantém o mistério do olhar
Segredos profundos das águas.
Só quem escuta teu canto e recebe teus lírios
Pode desvendar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Estações

Sou um ser de fases
Amo cada estação
Os brotos e as flores da primavera
Tiveram um longo tempo incubados, encasulados
Esperando o inverno passar
E quando tudo era frio, seco e escuro, ainda assim
A lua brilhava mais forte e a fogueira era confortavelmente quente
Em todas as minhas estações há encantos e novas sementes
Por isso cada primavera que passa há mais flores lindas
E a cada inverno mais lenha e estrelas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Retomada

Cansada
Mal paga
Cicatrizada
Limite da estafa
Hilaria risada
Destroi a capa
Fechada
Escura
E sem fala
Cabeça nublada
Questiona a estrada
Sem curvas ou placas
Nao quero sandalias
Descalça e molhada
Despida na praia
Retoma a vida
O fio da meada

terça-feira, 26 de abril de 2011

Floripodre


Pilares apodrecidos na margem do rio, sustentam a fome. Miséria fétida entranhada nas brechas das instaveis estruturas emboloradas.
Cidadãos que erguem o mundo, movimentam as ruas, as bolsas, os números
Dormindo na calçada dura da hipocrisia capitalista.
Lógica egoísta de produção
Açorianos caem com mãos e joelhos no chão
Dispostos a se refabricarem em prol de novas urbanidades estrangeiras.
Inúmeros núcleos paradisíacos sustentados pela podridão.