sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ora iê iê!

A semente que dança na cabaça
Estremece meu corpo sob a saia branca
Meu peito vibra com a incessante batida do couro em ritmo de afoxé.
Ora iê iê minha mãe
Desce pro terreiro
Lágrimas e pés descalços,  te recebem
Mãos abertas te saúdam.
Axé da bela mulher forte
Que amansa fera todo dia
Esconde a mais intensa mironga
De baixo de todos os panos.
E se espalha quando gira
As contas sobre o rosto
Mantém o mistério do olhar
Segredos profundos das águas.
Só quem escuta teu canto e recebe teus lírios
Pode desvendar.

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