terça-feira, 26 de abril de 2011
Floripodre
Pilares apodrecidos na margem do rio, sustentam a fome. Miséria fétida entranhada nas brechas das instaveis estruturas emboloradas.
Cidadãos que erguem o mundo, movimentam as ruas, as bolsas, os números
Dormindo na calçada dura da hipocrisia capitalista.
Lógica egoísta de produção
Açorianos caem com mãos e joelhos no chão
Dispostos a se refabricarem em prol de novas urbanidades estrangeiras.
Inúmeros núcleos paradisíacos sustentados pela podridão.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O alto do muro
Joelhos fracos sobre a tênue linha bamba que parece terminar ao lado do amante. Distante. Meus dedos imprecisos tocam a película que separa dois mundos. Somente o cheiro inebriante e perspicaz transpõe a barreira e aguça o desejo de alcançar. Mas a certeza suspende os braços cansados e abana o lenço umedecido. Segura beleza ganha um prefixo.
Profunda respiração frente a quilômetros de sizal em nó. Em uma mão, a agulha, na outra, a tocha acesa. Os últimos grãos enfileirados na ampulheta ecoam e sinalizam o fim. Sobre o muro a visão de dois mundos atraentes que se aniquilam antes mesmo da última partícula alcançar o topo da colina movediça.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Brilho rubro
Soa como um grito de revolta
Atrai inconformados
E expulsa engravatados
Punhos serrados
Firmeza no intento
Canhotos revolucionarios
Tiram do chao o sustento
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Samba de todas as cores
Chão batido
Firme pisada
Bela rodada
Levanta a saia!
Entra a mulata
Rebola e se espalha
Galega atentada
Arrisca imbigada
O canto do povo
Sem nome e sem raça
Brilha na rua
Gostosa sambada
É coisa da terra
De todos os seres
De todas as cores
Saravá aos tambores!
Firme pisada
Bela rodada
Levanta a saia!
Entra a mulata
Rebola e se espalha
Galega atentada
Arrisca imbigada
O canto do povo
Sem nome e sem raça
Brilha na rua
Gostosa sambada
É coisa da terra
De todos os seres
De todas as cores
Saravá aos tambores!
Entregue à vida
Os que me calavam
Me amarravam
Mordaças suadas
Engolia meu grito
Liberdade tolhida
Sutiã almofadado
Coleira estampada
Recato é um fardo.
A natureza intimidada
Reprimida e julgada
Rasga a camisa
Se joga na estrada
A vida é uma selva
Só restam as rochas
Feliz em não ser pedra
Minha flor desabrocha
Sem títulos e atributos
Momentos de entrega
Regados a vinho
Alegre e liberta
Me amarravam
Mordaças suadas
Engolia meu grito
Liberdade tolhida
Sutiã almofadado
Coleira estampada
Recato é um fardo.
A natureza intimidada
Reprimida e julgada
Rasga a camisa
Se joga na estrada
A vida é uma selva
Só restam as rochas
Feliz em não ser pedra
Minha flor desabrocha
Sem títulos e atributos
Momentos de entrega
Regados a vinho
Alegre e liberta
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