quarta-feira, 13 de abril de 2011

O alto do muro


Joelhos fracos sobre a tênue linha bamba que parece terminar ao lado do amante. Distante. Meus dedos imprecisos tocam a película que separa dois mundos. Somente o cheiro inebriante e perspicaz transpõe a barreira e aguça o desejo de alcançar. Mas a certeza suspende os braços cansados e abana o lenço umedecido. Segura beleza ganha um prefixo.
Profunda respiração frente a quilômetros de sizal em nó. Em uma mão, a agulha, na outra, a tocha acesa. Os últimos grãos enfileirados na ampulheta ecoam e sinalizam o fim. Sobre o muro a visão de dois mundos atraentes que se aniquilam antes mesmo da última partícula alcançar o topo da colina movediça.

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